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Bella Ciao & Festa della Liberazione

Conheça a história por trás do hino da resistência




A canção Bella Ciao se associa ao período da Segunda Guerra Mundial e é considerada por muitos como o hino dos soldados italianos de guerrilha da Resistência ao nazifascismo. Recentemente, a composição Bella Ciao tem sido empregada no contexto do entretenimento, por exemplo, com sua forte difusão por meio da série televisiva espanhola A Casa de Papel. Bella Ciao se faz presente também em manifestações políticas e na publicidade, com diversas versões em vários países. Porém, pouco se conhece sobre os sentidos e as origens de Bella Ciao, as quais são difíceis de se recuperar.

Em 2008, foi publicado um artigo, no jornal italiano La Repubblica, em que se conta que o engenheiro italiano Fausto Giovannardi, em viagem a Paris, em 2006, comprou um CD intitulado Klezmer - Yiddish swing music e identificou, nesse CD a canção Oi Oi di Koilen, a qual foi gravada em 1919, em Nova Iorque. A canção foi executada por um cigano cristão acordeonista nos Estados Unidos. Ao ouvir essa gravação da cultura iídiche, o engenheiro Giovannardi identificou semelhanças com a melodia de Bella Ciao. Surgiram, então, indagacões como: quais seriam as relações entre a canção gravada em Nova Iorque em 1919 e a Bella Ciao entoada na Itália em algumas regiões da Itália durante a segunda guerra mundial? Questões como essa continuam sem respostas definitivas.

Por meio dos estudos do pesquisador italiano Cesare Bermani, sabemos que Bella ciao era adotada, em 1944, por uma das brigadas da resistência, a chamada Brigada Maiella. Bella Ciao circulava, segundo o estudioso, não por toda a Itália, mas especificamente pela região da Emília Romanha, com letras diferentes, porém sempre com a mesma melodia.

Ainda sobre as hipóteses relacionadas às origens de Bella ciao, o antropólogo italiano Alberto Mario Cirese, estudioso das artes populares, apontou que a canção seria derivada de outro canto narrativo popular, entoado nos arrozais padâneos e intitulado Fior di Tomba II, cujo primeiro verso é: “Stamattina mi son svegliata” (“Esta manhã, acordei”), semelhante ao verso inicial de Bella ciao. Porém, é curioso notar que em Fior di Tomba II o eu-lírico é feminino diferentemente do eu-lírico da letra de Bella Ciao. A letra de Fior di Tomba II narra o sofrimento de uma mulher traída por seu amado. Já na letra de Bella Ciao, é o homem que teme ser levado pelo inimigo de guerra quem canta adeus à mulher amada.

Sobre o emprego de Bella ciao pela Resistência italiana, sabe-se que a canção foi considerada, de fato, como “hino” contra o nazifascismo somente cerca de vinte anos após o fim da Segunda Guerra Mundial. Bella ciao se consagrou, em 1964, no Festival Dei due Mondi (Festival dos dois mundos), na cidade de Spoleto, na Úmbria, região da Itália Central.

A história sobre as origens de Bella ciao é extensa e gera muitas especulações. Apresentamos apenas alguns dos principais dados bibliográficos sobre a longa história dessa bela canção folclórica que tem forte presença na cultura italiana até os dias de hoje e gerou também variadas versões brasileiras. Vale sempre entoarmos esse belíssimo canto em defesa da liberdade!

Texto: Professora Denise Durante


Una mattina mi son svegliato, oh bella, ciao! Bella, ciao! Bella, ciao, ciao, ciao! Una mattina mi son svegliato e ho trovato l’invasor.

O partigiano, portami via, o bella, ciao! Bella, ciao! Bella, ciao, ciao, ciao! O partigiano, portami via, ché mi sento di morir.

E se io muoio da partigiano, o bella, ciao! Bella, ciao! Bella, ciao, ciao, ciao! E se io muoio da partigiano, tu mi devi seppellir.

E seppellire lassù in montagna, o bella, ciao! Bella, ciao! Bella, ciao, ciao, ciao! E seppellire lassù in montagna sotto l’ombra di un bel fior.

E le genti che passeranno o bella, ciao! Bella, ciao! Bella, ciao, ciao, ciao! E le genti che passeranno Ti diranno “Che bel fior!”.

“È questo il fiore del partigiano”, o bella, ciao! Bella, ciao! Bella, ciao, ciao, ciao! “È questo il fiore del partigiano morto per la libertà!”.




Canção de1919, Nova York.





📜 Aprile 1945

Dino Buzzati


Ecco, la guerra è finita.

Si è fatto silenzio sull’Europa.

E sui mari intorno ricominciano di notte a navigare i lumi.

Dal letto dove sono disteso posso finalmente guardare le stelle.

Come siamo felici.

A metà del pranzo la mamma si è messa improvvisamente a piangere per la gioia,

nessuno era più capace di andare avanti a parlare.

Che da stasera la gente ricominci a essere buona?

Spari di gioia per le vie, finestre accese a sterminio,

tutti sono diventati pazzi, ridono, si abbracciano,

i più duri tipi dicono strane parole dimenticate.

Felicità su tutto il mondo è pace!

Infatti quante cose orribili passate per sempre.

Non udremo più misteriosi schianti nella notte

che gelano il sangue e al rombo ansimante dei motori

le case non saranno mai più cosi ‘ immobili e nere.

Non arriveranno più piccoli biglietti colorati con sentenze fatali,

Non più al davanzale per ore, mesi, anni, aspettando lui che ritorni.

Non più le Moire lanciate sul mondo a prendere uno

qua uno là senza preavviso, e sentirle perennemente nell’aria,

notte e dì, capricciose tiranne.

Non più, non più, ecco tutto;

Dio come siamo felici

 


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